S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

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S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Alexandre Gabriel » 14 Jun 2009, 22:03

«Experto crede: aliquid amplius invenies in silvis, quam in libris. Ligna et lapides docebunt te, quod a magistris audire non possis.»

«Acredita em mim, aprenderás mais lições nos bosques do que em livros. As árvores e as pedras ensinar-te-ão aquilo que não poderás aprender dos mestres.»

S. Bernardo de Claraval
(século XII)
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Alexandre Gabriel
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby triskelzinho » 23 Nov 2009, 16:50

«Acredita em mim, aprenderás mais lições nos bosques do que em livros. As árvores e as pedras ensinar-te-ão aquilo que não poderás aprender dos mestres.» Eu acredito!!!

Achei engraçado que pouco depois deste post, com esta frase fantástica, tivessemos outro com Sugestões de Leitura. E, então, as sugestões de pedras e árvores?... :???:

Sabes, o Grouxo Marx participou uma vez numa sessão de espiritismo. Bem, quando foi a vez dele colocar a questão ao médium que sabia tudo: passado, presente e futuro, ele apenas perguntou qual era a capital da Bolivia. É uma história deliciosa, não é? :) Bem, mas para além da interpretação óbvia, também podemos daqui concluir que as nossas questões são tão ou mais importante do que o que o mestre tem a dizer.

E eu quero sugestões de pedras e de árvores! :-(
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Alexandre Gabriel » 23 Nov 2009, 22:38

Pertinente questão Triskelzinho, mas creio que, como nos dizia o grande sábio Pitágoras, devemos sempre encontrar para tudo "um meio termo justo e bom", afastando-nos dos excessos... sem dúvida que as pedras, as árvores e a vida em geral, podem ser os nossos maiores mestres, mas isso também não nos deverá fazer afastar radicalmente dos livros, muito pelo contrário. Os livros são um repositório de conhecimento intemporal, cuja mensagem atravessa as limitações do espaço e do tempo daquele que os escreveu. Da mesma forma, hoje em dia é possível acedermos a muita da sabedoria druídica através dos livros, para que possamos apreender a informação aí transmitida e, pela sua prática, reflexão e vivências pessoais, transformá-la em sabedoria vivida.

Mas a frase de S. Bernardo é belíssimo disso não há dúvida. Ainda para mais no tempo em que foi escrita, podendo muito facilmente ser categorizada de "heresia" face à religião dominante. Quem ousaria dizer, em pleno século XII, que as árvores e as pedras nos poderiam ensinar mais do que o "Livro dos Livros", a Bíblia? Curiosamente, S. Bernardo nunca foi acusado de heresia, muito pelo contrário. O seu papel para a formação de Portugal e da estruturação da Europa medieval foi extremamente essencial.

O papel das questões, como bem referes, é essencial! Basta lembrarmo-nos do texto medieval irlandês, o "Colloquy of Two Sages", no qual mestre e discípulo "esgrimam" questões e respostas, deixando perceber que este processo faria parte da própria iniciação druídica...

Respondendo ao teu desafio, aqui fica a minha sugestão de um dos mais belos e vetustos carvalhos lusitanos, o "Carvalho de Calvos":

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http://sombra-verde.blogspot.com/2006/08/carvalho-alvarinho-de-calvos.html

Este belo "velhote" já tem mais de cinco séculos de vida, tendo sido recentemente alvo de uma intervenção "cirúrgica", pois tinha um ramo doente, que teve de ser amputado. Felizmente, para além de ter resistido à mesma, tornou-se ainda mais forte e é um muito respeitável ser, pelo seu porte e dignidade.
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby triskelzinho » 24 Nov 2009, 02:59

Bem, eu nunca quis dizer que devíamos abandonar os livros. Fahrenheit 451, do Ray Bradbury, deixou-me arrepiada. É que, ainda que não se note, eu gosto muito de ler. ;) E, naturalmente, concordo contigo: o melhor será seguirmos o caminho do meio.

Quando eu referi o post Sugestões de Leitura, não pretendia de modo nenhum condenar aquele post, ou qualquer coisa do género. Queria dizer que também esperava que se falasse dos tais ensinamentos directos, via Natureza.

Contudo, Alexandre, o teu comentário final mostrou-me que o que eu procuro (que eu própria não sei exactamente o que é, mas sei o que não é!), não se encontra aqui. Bem, mas mesmo com prejuízo pessoal e profundo pesar, não me resta outra alternativa senão dizer o que penso em relação ao final do teu comentário:

Respondendo ao teu desafio, aqui fica a minha sugestão de um dos mais belos e vetustos carvalhos lusitanos, o "Carvalho de Calvos":
Este belo "velhote" já tem mais de cinco séculos de vida, tendo sido recentemente alvo de uma intervenção "cirúrgica", pois tinha um ramo doente, que teve de ser amputado. Felizmente, para além de ter resistido à mesma, tornou-se ainda mais forte e é um muito respeitável ser, pelo seu porte e dignidade.


Eu podia muito bem ignorar isto, se tivesses escolhido outra árvore qualquer. Entende que não o posso fazer em relação ao Carvalho de Calvos. Lamentavelmente, não posso!

Já escrevi a frase de cima há algum tempo. Não sei como dizer o que quero dizer. Não sei como falar de experiências e sensações onde, acima de tudo, predomina a estranheza. Mas, possivelmente porque sou uma pessoa ingénua e ignorante, pensei que aqui, num fórum dedicado ao druidismo, também se falaria de coisas que não são habituais noutros lugares, como experiências ligadas a pedras e a árvores. Não teria que ser em termos pessoais, poderia não ser particularizado, contudo, isso teria que ser necessariamente algo bem diferente do que tu escreveste em cima. Acredita, não entendo. E tenho, agora, absoluta percepção que não sei o que é o druidismo. Peço que não te ofendas. Eu estou a colocar uma dúvida legítima. E, de resto, não precisas de te dar ao trabalho de entrar em definições por minha causa, é pouco provável que eu volte cá e que as leia...

O que vou escrever a seguir não o escrevo para ti ou para a tua floresta, escrevo-o porque não posso deixar de o fazer, pelo profundo respeito, gratidão e amor que tenho pelo Espírito do Carvalho de Calvos! O que vem a seguir é apenas a última vez em que este Espírito da Natureza me ajudou.

Na véspera do Lughnasadh, o meu marido deixou-me no hospital e foi procurar um lugar para estacionar o carro. Até ali aquilo nunca tinha acontecido, entrávamos sempre juntos. Nesse dia cheguei sozinha, mas a verdade é que nem me deixaram entrar na sala da neonatologia, uma enfermeira veio ter comigo e disse-me que o meu filho tinha tido novamente uma recaída, estava com outra infecção generalizada. Entrei e vi o meu filho com o soro nas veias da cabeça - já tinha sido tantas vezes picado que não havia mais veias que se pudessem usar. Não consegui aguentar mais! Poucos minutos depois estava já a sair do hospital, cruzei-me com o meu marido que estava a entrar... sabia bem que fugia, mas não sabia como não fugir.

Andei a vaguear pelas ruas, completamente perdida e acabei por entrar na Sé. Sentei-me num canto e chorei. O meu choro rapidamente se tornou incontrolável. Entretanto, alguém me tocou no ombro, uma, duas vezes... ainda a soluçar olhei para cima, vi uma mulher que me perguntou se eu sabia a que horas era a próxima missa. Eu fiquei tão estupefacta que ela repetiu a pergunta. Ainda a chorar, disse que não e ela afastou-se. Sem sequer me agradecer ou pedir desculpa pelo incómodo... fiquei arrepiada e apressei-me a sair dali. Continuei sempre a chorar, enquanto andava pelas ruas, sem destino.

Mais tarde, fui até ao Carvalho de Calvos. Onde mais poderia ir? Cheguei e o parque estava completamente vazio. Descalcei-me e entrei de imediato na fenda do carvalho, sentei-me e encostei-me lá dentro, bem no fundo, completamente dentro do velho carvalho. Dois ou três minutos depois, apareceu uma mulher velha que me perguntou o que eu fazia ali, disse-lhe que precisava estar ali um bocadinho. E ela disse-me que eu não podia ficar dentro do carvalho, mas foi-se embora e eu pensei que me estava a conceder aqueles minutos... logo de seguida, apareceram outras duas mulheres, uma delas era uma adolescente, a outra mais velha, foi essa que falou e exigiu que eu saísse de dentro do carvalho. Horrorizada, reconheci a Deusa na sua face tríplice: a donzela, a mãe e a anciã. Comecei novamente a chorar, pedi-lhe que me deixasse estar lá só um bocadinho, disse que já não aguentava mais... mas a mulher foi irredutível e continuou a exigir a minha saída. Saí, porque a Deusa assim o queria. A mulher ainda me perguntou se eu queria ir até ao café conversar... claro que não quis. Foram para o tal café lá no parque e eu afastei-me do carvalho... Nem sei dizer o que senti. Era como se tivesse deixado de haver chão debaixo de mim e eu estivesse permanentemente em queda livre.

Sentei-me no chão, fechei os olhos e recusei-me a pensar fosse o que fosse. Só queira ficar assim um bocadinho, antes de me ir embora... Mas fui ficando, apareceram algumas pessoas, que rapidamente se foram embora. E, por maior que fosse o meu desespero, a verdade é que eu já não tinha qualquer contacto com a natureza há muito tempo, tanto tempo que aquele bocado no parque, apesar de todas as circunstâncias, era algo que parecia entrar dentro de mim, ligando-me à Terra e não me deixando sair dali. Ainda hesitante, voltei para junto do carvalho... e fiquei lá imenso tempo, deitada no chão e de olhos fechados, esforçando-me por não pensar em nada. Até que ouvi novamente a voz da mulher velha, que me disse que estavam a fechar o bar e que se iam embora. Entendi o que estava implícito: se eu ainda quisesse voltar para dentro do carvalho, já o podia fazer. Fiquei admiradíssima. Agradeci e ela foi-se embora, não sem antes me desejar que tudo me corresse bem.

Algum tempo depois, entrei de novo no carvalho. Fiz o meu ritual. Um longo, longo ritual. O meu primeiro ritual desde que o meu filho tinha nascido. Ninguém me perturbou. Quando decidi que era altura de sair do carvalho, senti imensos pingos, não sei bem de quê, a caírem em cima de mim ... aceitei-os como um bom presságio. Nesse momento, acreditei que tudo iria correr bem.

No dia seguinte, no hospital, disseram-nos que afinal já estava tudo bem com o meu filho. Ainda continuou mais algum tempo na neonatologia, mas sempre sem perigo, era ainda muito pequeno e só podia ser alimentado pela sonda. Até que chegou o tempo em que teve finalmente alta, veio para casa e tudo corre bem, com a graça dos Deuses. E eu continuo profundamente agradecida ao Espírito do Carvalho de Calvos.
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Alexandre Gabriel » 24 Nov 2009, 03:17

Compreendo o que queres dizer Triskelzinho e recordo-me de ler o teu texto há algum tempo atrás... sem dúvida foi uma experiência-limite, em que uma vida estava em risco e sentiste a ajuda do Grande Carvalho. São coisas que mexem connosco, porque são mesmo pessoais, tocam-nos, dizem-nos respeito. Não são uma história ou um livro, que são na maior das vezes "inertes", mas que podem lançar pequenas "sementinhas" em nós...

Sabes que cada pessoa é diferente e única, e as experiências pessoais por vezes partilham-se, por outras não. Isso depende da pessoa, com quem se partilha, onde e quando o fazemos.

A vivência do Druidismo, por não ser algo dogmático, é também diferente para cada um de nós. Nenhuma delas é mais "verdadeira" do que outra. Só cada pessoa sabe, no seu interior, aquilo que precisa para melhor evoluir no seu próprio Caminho. Ao nosso lado temos os nossos companheiros e amigos que, não fazendo o Caminho por nós (porque isso seria impossível), nos amparam nos momentos em que mais precisamos.

:)
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby triskelzinho » 24 Nov 2009, 15:17

Alexandre, agradeço a amabilidade e a simpatia contidas em cada palavra da tua resposta. Na verdade, a tua resposta acalmou-me. Obrigada!

Perdoa-me se insisto, mas há ainda algumas coisas que eu quero dizer. :(

Tudo o que vem a seguir é meramente a minha opinião.

Eu não sigo uma via salvática, precisamente porque acredito que, face ao tempo em que vivo, a minha salvação não deve ser para mim a minha questão fundamental. Eu vivo num tempo em que a Terra-Mãe precisa de ser salva, e é isso que me move. Não sei se o que faço está certo, provavelmente não está. Mas uma coisa é certa, eu dou tudo o que tenho para dar. Tudo!

Repara, eu nasci numa pequeníssima aldeia de trás-os-montes, perdida numa paisagem imensa, onde poucos eram os vestígios da presença humana. A paisagem moldou-me. A paisagem e a generosidade quase arquétipica do meu povo. Eu cresci no meio de pessoas que, talvez por terem pouco, partilhavam tudo, mesmo com desconhecidos.

Alexandre, eu sei bem que as pessoas que frequentam este fórum seguem o Silêncio e a interiorização na vivência do sagrado. Isso certamente foi absolutamente certo noutro tempo. Tenho dúvidas que também o seja actualmente. Como dizia anteriromente, vivemos num tempo em que a Terra-Mãe precisa de ser salva e isso, na minha opinião, passa necessariamente pelas pessoas com vivências espirituais ligadas ao paganismo. Só essas pessoas podem trazer de volta a Natureza espiritual que está esquecida. Alexandre, isso é o que eu realmente sinto e acredito: actualmente, já não podemos simplesmente seguir o nosso Caminho, qualquer que ele seja (e sei bem que cada um de nós segue o seu próprio Caminho), temos que ensinar às nossas crianças que há espiritualidade nos nossos montes e vales, nas pedras e nas árvores. Essa espiritualidade já não é imediata, como foi noutros tempos. Tem que ser trazida de volta.

Ontem, quando referiste uma árvore, ainda por cima o Carvalho de Calvos, em termos meramente profanos, quando o contexto era precisamente o dos ensinamentos que obtemos directamente através da natureza, não estavas a trazer de volta essa espiritualidade, bem pelo contrário. Alexandre, tu és um druida, tens responsabilidades, sobretudo num espaço público. E, na minha opinião, neste tempo, não te podes dar ao luxo de optar pela solução de facilidade (que é!) e não falar de experiências espirituais que passam pela Terra, pelas árvores, pelas pedras, pelos animais... não o podes fazer porque és um druida, porque estás precisamente num espaço público dedicado ao druidismo, porque a tua opinião conta e porque não sabes quem te está a ler... quer queiramos quer não, os rótulos definem-nos e a partir do momento em que aceitamos um rótulo, temos que agir de acordo com isso, sobretudo em público.

Repara, podes até optar por transcrever experiências retiradas de livros, não tem que ser algo obrigatoriamente teu, mas acho sinceramente que deverias possibilitar que, neste teu fórum, se discutissem também este tipo de coisas. E, quem sabe, aquelas pessoas que não tem ninguém na vida real com quem possam discutir estes assuntos, talvez o façam aqui. Por favor, entende que eu não estou a falar de mim. Eu até tenho os meus blogs, onde posso dizer tudo o que me apetece... e digo!

Que mais? Espero que a floresta tenha em atenção que eu não procuro impor as minhas ideias, ou perspectivas, a ninguém. Eu entro nas batalhas que sinto dever entrar... luto contra esse fenómeno moderno que é a angústia perante a Morte, o Nada, a ausência de sentido na vida de todos os dias. Porque, quer queiramos quer não, nós vivemos num tempo em que ansiamos pela eternidade, sem sequer termos consciência que estamos a ser devorado pelo tempo, pelo tempo que nós próprios reinventamos... essa é, então, uma das minhas bandeiras: o regresso ao tempo cíclio. É por isso que passo horas e horas na cozinha e preparo festas. E convido desconhecidos. Deixo os convites no meu blog e aceito quem vier... faço-o porque o quero fazer e isso também tem que ser respeitado. Agora não penses que não tem custos para mim, porque tem. Da mesma forma, cada vez que partilho nos meus blogs alguma das minhas vivências, de certa forma, essa vivência deixa de me pertencer. E, por vezes, o sentido de sagrado que esteve na origem da minha experiência perde-se. Eu sei e sinto tudo isso... porque o faço então? Porque acredito realmente que o sacrificio é necessário, que alguém que esteja perdido poderá, alguma vez, encontrar alguma ajuda nas minhas palavras.

Alexandre, meu amigo, eu perdi-me completamente no início da minha idade adulta. Perdi-me no ateísmo e na descrença, e foi preciso uma experiência de coma, em que só não morri por milagre, para me trazer de volta. Se alguma vez eu puder ajudar, uma só pessoa que seja, a deixar de andar às voltas no deserto, como eu já andei, então tudo aquilo valeu a pena.

Sabes, de tudo o que eu já escrevi nos meus blogs, do que senti mais fortemente a perda, no sentido de deixar de ser algo só meu, foi precisamente um sonho. Um dos mais belos presentes dos Deuses... mas, por outro lado, porque haveria eu de querer que fosse só meu?...

E é com esse sonho que termino esta longa resposta. Peço apenas um favor: se não se sentirem capazes de acreditar que é um sonho real, um sonho que eu tive enquanto dormia, não o devem continuar a ler. Espero que respeitem isso.

http://clareirazinha.blogspot.com/2007/02/sonho-da-noite-passada-noite-de-12-para.html
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Mafalda » 24 Nov 2009, 19:30

Olá Triskelzinho,

Li e reli as mensagens deste tópico, e li também o sonho, que se encontra no blog. Em relação ao sonho o que posso dizer é que sinto e vivo de forma parecida, ri contigo e chorei contigo.

Não sei se posso escrever muito mais do que o Alexandre já disse. O que posso é explicar um pouco da minha experiência pessoal.

Não é fácil partilhar experiências quando estas estão ligadas ao caminho espiritual, pelo menos para mim é dificil. Cresci com animais e natureza. Aprendi muito com eles e continuo a aprender, mais do que consigo explicar. No entanto foi um percurso dificil, devido à sociedade em que cresci. Quando era criança era muito sensível, o que "deixei de ser" pois não tive ninguém que pudesse reconhecer alguma das minhas capacidades, ou pelo menos que as levasse a sério. E claro que mais tarde fui confrontada com isso de novo. Tinha duas hipóteses continuar a ignorar ou tentar aprender. Optei por continuar a aprender.

Nos últimos 3 anos a minha vida mudou por completo, não deixei de acreditar no que sempre acreditei, reforcei essa crença com uma força de que não era vã, sonhadora ou ilusória.
A questão é que nem sempre é fácil falar sobre isso, pois infelizmente nem todos à nossa volta, na nossa vida exterior a esta comunidade, compartilham dos mesmos valores. Até entre nós os valores são diferentes, no entanto trilhamos o mesmo caminho. Até chegarmos aqui cada um teve uma aprendizagem e crescimento diferente. Não é negativo, muito pelo contrário, pois esta diversidade faz com exista crescimento e aprendizagem. E com o tempo maior partilha.

No fundo o que quero dizer é que acredito que todas as pessoas neste forum tenham por base as mesmas crenças, só que todos nós chegámos aqui por caminhos diferentes, o que faz com que a forma como nos dirigimos às nossas experiências sejam também diferentes, o que não as faz menos reais. :)

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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Alexandre Gabriel » 24 Nov 2009, 23:56

Triskelzinho,

Este é, acima de tudo, um espaço de partilha. E quem o desejar poderá escrever e participar como bem entender. Cada pessoa tem a sua própria "nota" e forma de o fazer. O conjunto de todas elas apenas enriquece a aprendizagem que cada um poderá fazer do todo...

...Mas não me referi ao Carvalho de Calvos em termos profanos :) Ele é para mim um Grande Velhote, com um espírito muito bondoso e sábio. É inspirador estar na sua presença e fiquei muito sensibilizado quando vi que estão a tratar bem dele no Parque a ele dedicado.

Quanto ao estado de "druida", não me auto-proclamo como tal! Identifico-me com os princípios do druidismo e procuro seguir os seus ensinamentos, mas sou um estudante, um aprendiz do druidismo. E sê-lo-ei até ao final desta minha vida. :) Se me é permitido dar um exemplo, noutros caminhos místicos, por exemplo, existe uma ideia muito interessante e humilde, na minha opinião. Falo da tradição mística da Rosa-Cruz, em que aqueles que seguem este caminho se consideram "rosacrucianos", que aspiram ao ideal e ao estado de "Rosacruz". O estado de "Rosacruz" é o estado dos Mestres, dos Realizados, daqueles que adquiriram um perfeito conhecimento e domínio de si próprios. Naturalmente, nenhum Mestre autêntico se apresentaria como tal... pois isso seria incorrer no mais básico dos erros, quando o caminho espiritual nos deve levar a uma maior impessoalidade, humildade e simplicidade.

Este espaço está aberto a esta troca de experiências pessoais, da parte de quem o desejar. Mas não se pode obrigar ninguém a isso. ;) É algo que deve partir de cada um. E naturalmente eu não seria ninguém para o impedir, muito pelo contrário. ;)
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby triskelzinho » 28 Nov 2009, 20:02

Alexandre e Mafalda, eu concordo com ambos, no entanto sinto que não fui compreendida. Mas não vou insistir mais no que disse ou no que queria dizer... :)

Árvores e Pedras, não era? :)

No dia 18 de Julho de 2008, eu estava com mais três pessoas num piquenique nocturno, quando senti um chamamento fortíssimo, não sabia o quê ou quem me chamava, mas levantei-me e avisei que tinha que ir, voltava logo... contudo, talvez por ser de noite, não me deixaram ir sozinha. Fomos todos.
Escrevi sobre isso o seguinte: "Deixamos a toalha estendida no chão, com a comida do piquenique nocturno e embrenhamo-nos na montanha, como se estivéssemos enfeitiçados. Encontramos um estranho lugar... um antigo lugar de poder, perdido no meio dos montes. Chegamos lá a tempo de ver nascer a lua cheia, intensamente laranja... foi um momento mágico!"
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Foi assim que eu descobri o meu maravilhoso círculo de pedras, do qual nunca ouvi falar a mais ninguém, e que nós não podíamos ver de modo nenhum do lugar onde estávamos (quase escrevi que estávamos lá por acaso, mas não há acasos, pois não?).

Se quiserem ver melhor o meu círculo de pedras, está aqui:
http://peregrinar.blogspot.com/2009/11/o-meu-circulo-de-pedras.html

Não sei que lugar é este ou que ensinamentos me vai transmitir. Sei apenas que é um dos lugares mais importantes do meu mundo...

Para terminar, queria dizer-te, Mafalda, que me comoveste quando me disseste que riste e choraste comigo. Agradeço-te com todo o meu coração, muito obrigada! :)
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Alexandre Gabriel » 29 Nov 2009, 00:09

Tu descobres com cada tesouro Triskelzinho!... :) Obrigado pela partilha.

A fotografia parece apanhar algumas estrelas (entre as duas pedras) ou será ilusão de óptica? A fotografia está muito bem "apanhada". Terão sido "guiadas" até aí por "algo", para estarem no lugar certo, na altura certa, quem sabe? ;)
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Alexandre Gabriel » 29 Nov 2009, 00:13

Aqui fica mais uma contribuição de Pedras e Árvores. É um cromeleque não muito conhecido e que não tem um acesso muito fácil para quem não conheça (ou não tenha um gps...) Chamam-lhe "Portela de Mogos" e fica perto de Évora. Está rodeado de sobreiros, várias ervas e arbustos. Estar ali um pouco ao entardecer é uma experiência muito interessante...

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A cerca de 2 kms dali situa-se um outro, o de "Vale Maria do Meio". E, andando um pouco mais, chegamos ao famoso "Cromeleque dos Almendres".
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby triskelzinho » 11 Dec 2009, 00:53

A foto quase nos leva para lá... bem, com aquela neblina fica irresistível. :)

Deixa-me voltar às árvores sagradas. :)

Uma Nogueira centenária no parque de Montesinho, em Quintela:
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E, já agora, dois velhos castanheiros, no concelho de Vinhais, perto de um rio que eu adoro: Tuela. :)
Castanheiro com 450 anos, em Lagarelhos, Vilar de Ossos:
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Castanheiro com 300 anos em Alto dos Malhões, Agrochão:
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:)
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby Lamandil » 07 Mar 2010, 04:03

Trisklesinho, a tua história é impressionante. De facto compeendo e revejo muito do que te aconteceu (menos a tristeza do teu filho que espero e rogo que esteja forte e saudável).

Muitas vezes na vida algo aparece a dizer-nos que temos de parar. O mundo gira, mas para conseguirmos os nossos rituais temos de esperar o momento em que nos mesmos estamos prontos para os realizar. O sofrimento tolda os sentidos e muitas vezes é necessario primeiro encontrarmo-nos para posteriormente falarmos com o Universo, mas é nos momentos de maior sofrimento que as mãos do Divino nos conduzem calmamente.

Quanto ao tema, a natureza é um dos melhores locais para meditação. Quando estudava na cidade de Barcelos, ia até ao lago do parque da cerca bem no centro da cidade, e era fantastico ver tudo em harmonia. Muitos mosteiros têm enormes jardins que tinham função de servir para recolha de ervas e local para meditação de monges. Para além de muitas igrejas catolicas terem sido construidas em locais de referencia para os druidas numa tentativa de anular os locais de culto antigos, onde muitas vezes ainda se sente o poder das Linhas Ley que estes tao bem conheciam.

Os livros não substituem o conhecimento adquirido nas pedras e nas arvores, apenas este conhecimento vem comprovar o que os livros tem escrito e ajudam a compreender.
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Re: S. Bernardo de Claraval: Monge-Druida?

Postby soulkeeper » 19 Aug 2010, 18:40

...sentada na margem do rio...vislumbrava intensamente o outro lado...o desejo intenso de atravessar notava-se a cada instante...cada gesto seu...cada respirar mais profundo...Queres ir não queres?...Queres atravessar?...porque não vais?...Tenho medo...respondeu-me em soluços...medo de quê?...Não sei!...sinto que do outro lado tudo será melhor...diferente...mas tenho medo de atravessar...medo do que me possa acontecer no momento!!...porque não levas o corpo para perto do teu espírito?...De certo modo já lá estás...parte de ti...voou no preciso momento em que pensaste...mudar de margem!...sim, mas...e tu?!...não te quero perder...amo-te...tanto...tanto...tanto!...Sei que sentes algo por mim...o quê não sei...certamente não será amor...deixei de te ter no preciso instante em que desejaste partir...eu sim...amo-te...vou-te libertar...pode ser que voltes um dia...para onde já não estás...porque quem deseja ir...é porque já foi!...adeus meu amor...adeus...adeus…mesmo que fiques!

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