Belos poemas! Deixo também um dos meus poemas, embora num estilo diferente...
Senhora, que te posso dizer? Não te amei?
Quando ouvi o canto da cotovia não te escutei?
Ou nos silêncios clarividentes das noites de luar...
Não te pressenti na sombra e na luz, por não te amar?
E não te invoquei nas chamas das antigas fogueiras?
Não fui sempre tua, desde as primeiras brincadeiras?
Não te encontrei numa ancestral fonte sagrada?
E quando bebi a tua água viva, não te sentiste amada?
Não percorri as tuas clareiras com fé no meu coração?
Não te procurei nos velhos carvalhos e não comi o teu pão?
Não celebrei e não talhei o círculo como antigamente?
Não te invoquei no poder da ave e da serpente?
Não senti por ti o sabor frio e amargo da discriminação
daqueles que, por te ignorarem, se julgam quem não são?
Não subi todas as montanhas cheia de alegria?
Não procurei sempre a tua eterna sabedoria
que se encontra nos sonhos e nas ideias solitárias?
Não acreditei nas minhas intuições visionárias?
Não atravessei rios gelados em longínquas terras
e não fui onde me mandaste ir em todas as eras?
Não te senti na neve e na chuva, e na terra molhada?
Não te encontrei na claridade da manhã desejada?
Ou na alegria e na beleza do olhar de velhas e crianças
quando nos seus olhos brilhavam as tuas danças?
Não te senti no murmúrio de brisas e ventos
que me traziam memórias antigas e pensamentos
daqueles que há muito haviam sido esquecidos?
Senhora, não é por ti que recrio tempos perdidos?...
Hum, e para terminar, deixo o início e o fim (não me lembro do resto) de um poema de Joyce Kilmer, Trees:
I think that I shall never see
A poem lovely as a tree.
(…)
Poems are made by fools like me,
But only God can make a tree. 