Súplica da árvore ao viandante:
" Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
Antes que me faças mal, olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de Inverno.
Eu sou a sombra amiga que tu encontras
Quando caminhas sob o sol de Agosto,
E os meus frutos são a frescura apetitosa
Que te sacia a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa, sou a tábua da tua mesa,
A cama em que tu descansas e o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada, a porta da tua morada,
A madeira do teu berço e o aconchego do teu caixão.
Eu sou o pão da bondade e a flor da beleza.
Tu que passas, olha-me bem e ... não me faças mal ".
Albano Q. Mira Saraiva
* Algumas fontes dão esta oração florestal como escrita junto ao Castanheiro de Lamego. Esta Súplica ao Viandante foi apresentada ao público pelo autor, que foi professor por algum tempo em Arganil, durante a "Festa da Árvore" em 1913 em Arganil. Muitos anos após a morte de Albano Saraiva algumas pessoas vieram erradamente a associar esta criação ao palestrante mais ilustre (advogado, político republicano, diplomata e escritor) dessa festa: Veiga Simões. Existem painéis com esta Súplica em algumas Matas portuguesas (como é o caso da Mata do Hospital em Arganil, mas também em alguns parques de um país da América Latina.
